Encerrado no fim de semana em Bagé, evento apresentou o panorama de uma seleção focada em precocidade e maior funcionalidade
A Exposição Nacional Charolês 2026, encerrada no fim de semana no Parque Visconde de Ribeiro Magalhães, em Bagé (RS), deixou um panorama claro e promissor. A avaliação dos dirigentes da Associação Brasileira dos Criadores de Charolês é de que o status da raça no Brasil foi consolidado como decisivo nos cruzamentos, atingindo o direcionamento ideal para atender criadores de todo o país.
Com 60 animais em pista, o julgamento da raça, que voltou a Bagé após algumas décadas, selou a transição para um biotipo moderno e funcional. O julgamento consagrou a fêmea Tarumã JHBD TE2467 Professora e o macho Tarumã JHBD 2450 Oliver, da Cabanha Tarumã JHBD, de Camaquã (RS), como os Grandes Campeões de argola (veja o resultado completo abaixo).
A mudança zootécnica foi destacada pelos avaliadores. Para o jurado Joal Brazzale Leal, reconhecido pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, o padrão exibido comprova um salto definitivo: "a transição está feita, não está em evolução como a maioria das pessoas diz, ela já foi feita", pontuou durante a avaliação. Essa consolidação reflete o trabalho com a Embrapa Pecuária Sul, que realizou o Dia de Campo da 10ª Prova de Avaliação a Campo (em andamento), com a apresentação do equipamento GreenFeed, para medição de metano após a conclusão da 10ª Prova de Eficiência Alimentar, no início de 2027.
O presidente da ABCC, Rodrigo Mascarenhas de Souza, ressaltou a "evolução clara em padronização, funcionalidade e equilíbrio racial", apontando a "capacidade de produzir animais modernos, eficientes e adaptados a diferentes condições". Para ele, o uso do Charolês com raças britânicas e sintéticas é uma "grande oportunidade para agregar valor e abrir novos mercados". Para demonstrar na prática o direcionamento da raça, foram apresentadas fêmeas nascidas na primavera de 2025 com aproximadamente 300 quilos. São filhas de touro Charolês em vacas Brangus, Braford e Hereford. Os animais foram desmamados em campo nativo e manejados atualmente em pastagem de azevém.
A integração acadêmica também marcou o evento, com a realização de apresentações teóricas e práticas sobre a raça para estudantes e professores das instituições de Ciências Agrárias da região. A professora Ana Carolina, do IFSUL Bagé, destacou a relevância de mostrar o novo momento da raça aos estudantes, lembrando que eles são os técnicos do futuro. Segundo Ana Carolina, o gado Charolês surge ainda como "uma nova alternativa para ser utilizada nos cruzamentos da região da Campanha".
A Exposição Nacional teve ainda o "Charolês, Brasa & Fogo", com degustação de carne produzida a pasto no Pampa, coroando uma edição que reafirmou a força e a eficiência da raça na pecuária nacional.
Confira o resultado do julgamento, que teve a participação de 60 animais do RS e de SC:
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